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Hexagrama 52. Kên / A Quietude (Montanha)



Os pensamentos negativos devem ser mantidos em silêncio.

Podemos receber este hexagrama quando nossos pensamentos estão ligados às emoções negativas ou, então, quando estamos correndo o risco de nos envolver emocionalmente em algo que tire nosso equilíbrio. Uma vez que haja esse envolvimento, perdemos a clareza mental, precisamos recuperar a quietude e o equilíbrio.

Quietude significa aquietar o "pensamento" do coração. O I Ching diz que o coração pensa quando nossas emoções são espicaçadas. O coração infantil que temos dentro de nós pensa a partir das carências e necessidades e mede a direção dos acontecimentos o tempo todo para verificar se seus objetivos estão sendo alcançados ou não.

A quietude é fundamental para que essa torrente de pensamentos seja controlada, para que a atividade mental diminua. Se nos desligarmos, veremos que tais pensamentos nascem dos medos conscientes ou inconscientes. O I Ching os chama de "Vozes dos inferiores". Enquanto elas estiverem no domínio, não conseguimos ter uma atitude de neutralidade e aceitação.

Existem vários meios para alcançarmos essa quietude aconselhada pelo hexagrama. Uma delas é explicar às tais "Vozes dos inferiores" que elas não devem ficar inseguras, que as mudanças fazem parte do processo natural da vida. Devemos também explicar a elas que é preciso confiar no Tao, porque ele nos mostrará o caminho a seguir.

Para obtermos resultado, devemos nos sentar em estado de quietude e meditação, pois este hexagrama é um convite à meditação ou, pelo menos, a um contato com as preocupações e medos que estão alojados dentro de nós, muitas vezes, sem que tenhamos consciência deles. É preciso acreditar que, confiando no Tao, tudo sairá a contento. Trata-se de um trabalho de espera que pode ser cansativo e duro, mas é imprescindível. Identificar nossos medos e presunções é o primeiro passo para a libertação .

Texto de Wu Fang

Hexagrama 51. Chên / O Incitar (Comoção, Trovão)



Os choques acontecem, mas temos forças para neutralizá-los

Por mais forte e perturbador que seja o choque recebido por nós, devemos manter uma atitude neutra e descompromissada. Pode acontecer um choque em nossas vidas quando perdemos o emprego ou temos um acidente de carro. Perspectivas de mudanças de longa duração, como um divórcio ou a perda de um ente querido, também podem provocar choques intensos. A sensação de sermos abalados pelos eventos, em circunstâncias que não prevíamos, é o que este hexagrama chama de destino, karma ou sina.

A mensagem é "o choque é bom". Quando o recebemos, lembramos que os eventos perturbadores podem trazer o bem se mantivermos a mente aberta. Em vez de reagirmos cegamente, com agressividade ou desespero, devemos cultivar a aceitação. Em todos os casos, somos aconselhados a manter o equilíbrio interior.

Um dos objetivos do choque é nos forçar a reconhecer que há formas novas e mais corretas de lidar com as circunstâncias. Se ignorarmos isso, e continuarmos agindo de acordo com os velhos padrões, estaremos sujeitos a repetidos abalas. 

Outra finalidade do choque é nos fazer duvidar da lógica a partir da qual sempre encaramos a vida e seu fenômenos. O apego a um determinado conjunto de certezas nos faz sentir menos ameaçados, mas, ao mesmo tempo, funciona como uma barreira que nos tapa a visão das coisas sob novos ângulos.

O choque é uma das maneiras mais eficazes de nos fazer questionar os velhos padrões e pontos de vista. Na adversidade, acabamos por reexaminar as idéias, os comportamentos, as certezas, podemos evoluir. Nosso verdadeiro eu aprende que é capaz de seguir em frente, apesar de todos os abalos, confiando no desenrolar dos acontecimentos. Nesse ponto, não precisamos mais das defesas e estratégias do ego (homem inferior). O processo do choque se repetirá até que as idéias ultrapassadas percam a credibilidade. 

Texto elaborado por: Wu Fang


Equilíbrio e Coragem!             

Hexagrama 50. Ting / O Caldeirão



Cada um deve aceitar o seu próprio fardo. Ele sempre pode ser carregado.


O esforço é o que desenvolve nosso caráter. Desenvolvendo o bom potencial que existe em nós, brilhamos como um exemplo e iluminamos o caminho dos outros. Quando nossos pensamentos forem bons, estaremos oferecendo um bom alimento ao Poder Superior; quando forem corrompidos, a "refeição" é desperdiçada.

Este hexagrama requer o sacrifício daquilo que tem grande valor para nós: A sensação de que estamos no comando, de que temos a capacidade e o direito de guiar-nos. O fato, porém, é que nunca estamos no comando porque tudo é mutável nesta vida, nada pode ser previsto e esperado com precisão. Em geral, o envelhecimento ou um abalo produzido pelo destino é que nos tornam conscientes disso.

A idéia do poder e do controle sobre a vida nada mais é do que uma ilusão, gerado por nosso ego, claro. Se abdicamos de tal pretensão, porém, abriremos espaço para que o Poder Superior nos guie e proteja. Temos também a tendência a nos sentirmos bem, quando a situação vai bem, e a nos sentirmos mal, quando as coisas não ocorrem como esperávamos. Em vez disso, no entanto, deveríamos seguir nosso curso, independentemente da qualidade dos eventos. Sejam eles bons ou ruins, temos que manter a atitude.

Se obtivermos êxito, ótimo. Mas, caso contrário, devemos nos aplicar à autocorreção e esperar que as coisas sigam o seu curso naturalmente, mantendo nossa inocência e independência interior. Para tanto, é fundamental deixar de lado os pensamentos inapropriados, estabelecer uma conexão com o Poder Superior e não dar ouvidos ao ego. 

Texto elaborado por Wu Fang.


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