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Hexagrama 25. Wu Wang / Inocência (O Inesperado)


   Faça da sua mente uma tela em branco, deixando que as coisas surjam naturalmente.


A inocência está isenta de idéias preconcebidas de preconceitos. Elas são antecipações sobre o que virá adiante. Perdemos a inocência quando olhamos para trás, para frente, para os lados. Quando fazemos isso, estamos tentando nos proteger de possíveis resultados negativos ou, então, queremos nos congratular com o sucesso obtido ou ainda nos compararmos com os outros.

Segundo o I Ching, não devemos adotar essas atitudes porque o mais importante são as necessidades do momento. Se olhamos para o lado, damos margem à inveja, ao ressentimento e até ao ódio. Perceber que nossa estrada é mais difícil do que a dos outros nos causa esses sentimentos. Tal atitude tem a ver com o medo do desconhecido, do futuro, com dúvidas que temos a nosso próprio respeito.

Atuar com inocência é agir com a mente clara, pura e vazia, comprometida apenas com o bem. Quando a dúvida surge, devemos nos retirar para um estado mental "Vazio" e dispersar as energias negativas presentes. Para manter a inocência devemos nos libertar do presente e permitir que as mudanças aconteçam.

Uma vez que não possuímos mais a inocência natural da infância, precisamos nos empenhar em manter uma espécie de inocência consciente. Se conservarmos a mente aberta e livre, como se fosse uma tela em branco, conseguiremos obter uma perspectiva cósmica e compreender a natureza do bem e do mal. Quando todas as estradas parecem bloqueadas, podemos ver uma senda. No auge da tempestade, podemos nos lembrar do arco-íris. Tudo depende de nossa mente aberta, e do pensamento positivo. Se, no entanto, ficarmos presos a idéias preconcebidas, preconceitos e a defesas ultrapassadas, nossas reações criativas e inocentes não surgirão. Ser inocente é ser puro de coração.

É preciso tentar manter essa pureza, evitando empregar métodos errados para alcançar nossos objetivos. Quando trabalhamos para manter a inocência, os benefícios surgem à nossa volta.

Texto elaborado por: Wu Fang.         

               

   

Hexagrama 24. Fu / Retorno (O Ponto de Transição)


Afaste o orgulho do seu horizonte. Ele só nos leva ao desequilíbrio.


Este hexagrama significa que estamos nos afastando do Caminho Superior.

Por causa da dúvida, voltamos a um velho sistema de defesas e estratégias para lidar com os problemas. Estruturas de relacionamento que já haviam sido superadas ressurgem, porque deixamos de lado a autodisciplina ou simplesmente paramos de prestar atenção à nossa atitude interior.

Receber o hexagrama 24. Fu, portanto, é um aviso para que prestemos atenção na questão e voltemos ao Caminho não estruturado, o caminho que independe de defesas e estratégias e se baseia, sim, na humildade e na aceitação. É preciso renunciar à racionalização dos acontecimentos, que sempre nos leva a discutir e apelar para a força (Caminho Inferior).

Temos que dar espaço para a compreensão Cósmica, renunciando ao orgulho, e pedir ajuda ao Criativo. O orgulho provavelmente foi despertado pelas transgressões de outras pessoas, mas também porque nos sentimos abandonados pelo destino ou pelo Poder Superior. Mas se conseguimos ver que o Poder Superior não nos abandonou, poderemos voltar ao Caminho Superior, vencer o orgulho e seguir na perseverança.

Para tanto, é fundamental não deixar que idéias negativas penetrem em nossa mente. Quando elas ameaçam se instalar, devemos imediatamente expulsá-las. Elas nos levam à dúvida e, conseqüentemente, ao antigo esquema das manipulações e mecanismos de defesa. É preciso dar meia volta, fugir de tais idéias antes que elas tenham tempo e força para se estabelecer. Se nos deixarmos levar por elas, perderemos a capacidade de enxergar à nossa volta. Mas, se conseguirmos combatê-las, será possível retornar ao caminho correto, o de humildade e aceitação. Assim, poderemos seguir a trilha do progresso através de passos medidos cautelosamente. 

(Texto elaborado por: Wu Fang)

Namastê!

Hexagrama 23. PO / Desintegração

Apenas seja. Passe a vida toda tentando ser.
Já terá feito muito.


O hexagrama nos avisa que o medo e a dúvida já nos fizeram sair do nosso caminho ou estamos prestes a fazê-lo. A maior dúvida, aquela que nos atormenta a alma, é se conseguiremos alcançar nosso objetivo seguindo o caminho da docilidade e da não-ação. Tememos que, se simplesmente deixarmos o barco correr, nunca chegaremos ao alvo desejado. Por isso, relutamos tanto em deixar que o rio siga o seu curso, sem a nossa interferência. Mas ao adotar essa atitude estamos no caminho da desintegração.

Precisamos acreditar que receberemos a ajuda necessária. Ao duvidarmos disso, nos afastamos automaticamente do Poder Superior que, então, nos deixa entregues à própria sorte. Mas se seguirmos o fluxo da corrente, o Criativo (o Tao) trabalhará a nosso favor.

A desintegração também pode se referir a época em que perdemos a percepção e abandonamos nossas responsabilidades. O abandono ocorre quando abandonamos pessoas sem demonstrar gentileza, ou por considerá-las incorrigíveis ou por não acreditarmos que elas possam se relacionar corretamente conosco.

O hexagrama também pode ser recebido quando retornamos ao caminho correto depois de tê-lo abandonado durante um período. Ele pode referir-se a outras pessoas saindo do seu caminho. Seja qual for o caso, a única coisa a fazer é seguir nosso rumo, com docilidade e simplicidade, e sem temer as adversidades. É preciso saber que, muitas vezes, o único meio que temos para crescer e corrigir atitudes erradas é enfrentando dificuldades.
É claro que, dentro do possível, a adversidade deve ser evitada. Ninguém gosta de sofrer e viver agruras. Mas, se ela ocorrer, deve ser encarada com moderação, extraíndo-se dela cada lição que tem a nos oferecer. Assim, evitamos que as lições tenham que ser repetidas mais tarde.

Receber este hexagrama significa que devemos buscar superioridade para enfrentar as situações difíceis, porque elas no momento serão inevitáveis. É um momento de colheita e preparação do solo, para mais tarde, colhermos frutos melhores. Os Trigramas oferecem a atitude correta que devemos assumir para atravessarmos este hexagrama com sabedoria.

Kên sobre K'un - A Quietude, Montanha sobre O Receptivo, Terra.
Kên - Montanha 

Este Trigrama tem uma linha forte e inteira em cima e duas linhas partidas e passivas embaixo. Sua forma gráfica, com a linha forte Yang em cima, dá a idéias de algo barrando a mobilidade das linhas Yin. Daí surge a imagem da montanha. É o filho mais moço da Terra com o Céu, o oposto do seu irmão mais velho, o Trovão. Suas características cósmicas são também inversas às do Trovão: lá tudo nasce, tudo começa, e aqui tudo morre, tudo termina.

Vida é movimento. Quando algo se cristaliza e imobiliza, como acontece com uma montanha, tende a fenecer. No entanto, a nível espiritual, Kên tem características positivas, como repouso e o aquietar dos pensamentos da vida material para uma maior vivência das realidades transcendentes. Nesse sentido, Kên é também o começo de um novo nível de consciência.

Um outro aspecto interessante de Kên é o seu poder acumulador.
A montanha é uma barreira onde as nuvens interrompem seu movimento e se acumulam até causar a chuva. Isso equivale a um gerador acumulativo de energias que, ao interagir com outras forças, imobiliza-as gerando uma maximização do seu potencial. Por esse motivo, os sábios e iluminados do oriente buscavam as montanhas para o exercício da meditação.

Na vida humana, a montanha simboliza aquilo que freia, que retém para uma reflexão maior. Todas as vezes que estamos "impedidos" é a força de Kên que está agindo. Tudo o que está temporariamente imobilizado é Kên.

No nosso corpo, Kên representa as mãos pelo seu poder de agarrar, prender e reter os objetos. No ciclo da maturação, Kên é o fim e o começo, a aurora que finaliza o repouso, que inicia uma nova etapa, um novo dia. A vida aqui termina, mas essa morte é apenas uma passagem para uma nova forma de existência.


K'un - Terra
Trigrama composto por três linhas abertas ao centro, carregado de energia negativa (sem o juízo de valor que a palavra possui no ocidente). O vazio ao centro dessas linhas significa a passagem livre da energia, seu poder de receber e de doar. No plano cósmico, simboliza a capacidade de nutrir, de partejar, de dar forma às ideações do trigrama Ch'ien.

K'un realiza o que a vontade criadora do universo decide; ele é a forma.
No plano visível, é a Terra que sustenta e nutre todos os seres vivos, a mulher, a mãe. Das estações do ano, é o inverno onde a natureza repousa e se nutre. No mundo dos animais, K'un é representado pela égua, por causa da sua obediência, e pela vaca, por causa da sua docilidade.

No mundo dos homens, K'un é, primeiramente, representado pela mulher que tem a capacidade de receber o homem e gerar filhos. Representa a maternidade e a fertilidade, a mãe. Aqui, é bom lembrar que os atributos de K'un não são exclusivos da mulher, do sexo feminino, referindo-se, na realidade, aos aspectos psíquicos com qualidades Yin, que tanto podem pertencer ao homem quanto à mulher. Daí, todos os sentidos de nutrir, proteger, dar forma e abrigar passam a ser características de K'un.

A parte do nosso corpo que representa K'un é o ventre que gera filhos ou metaboliza a energia que alimenta o nosso corpo. K'un representa, no ciclo de maturação, o complemento da obra, sua materialização.

Luz e Sabedoria!

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