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Hexagrama 60. Chieh / Limitação



Aceitar os seus limites e dos outros é prova de grande Sabedoria.


Este hexagrama nos avisa que os limites são fundamentais para a conquista de nossos objetivos. Nos dias de hoje, cada vez mais, idéias decadentes, que contrariam os ensinamentos do I Ching, nos fazem perder a noção de limites, do que é certo ou errado. 

O conceito de limites tem a ver também com a aceitação do nosso Destino. Devemos eliminar da mente qualquer elemento de resistência ao que temos que passar, necessariamente, pelo processo de aprendizagem. Ao aceitar os limites é sinônimo de não sermos presunçosos nem arrogantes. Não é possível fazermos apenas o que desejamos. É preciso também passar por situações desagradáveis ou fonte de sofrimento. 

As mudanças só são obtidas quando temos um insight sobre a natureza do problema, conseguimos a ajuda do Sábio e acreditamos na verdade interior. As virtudes defendidas pelo I Ching - Paciência, modéstia e simplicidade - não podem ser alcançadas sem uma longa experiência de autolimitação. Devemos ser brandos conosco mesmo. Não adianta tentarmos avançar antes do tempo, evoluir de forma prematura, chegar no objetivo antes do tempo.
Essa ambição de nada adiantará. Por isso, os limites são tão necessários. Somente um esforço gradual, brando, modesto e perseverante nos leva ao progresso.

Chegar à autolimitação, porém, não é nada fácil. No decorrer desse trabalho, nos deparamos com a força de elementos inferiores perturbadores, que estão acostumados a agir de sua própria maneira, levando-nos a ter uma atitude voraz em relação aos fatos que se apresentam na vida. Para controlar esses elementos, devemos fazer como quem ensina uma criança gulosa que o estômago não pode governar a mente. Os resultados podem ser surpreendentes. É preciso, em primeiro lugar, tentar.

Texto elaborado por 
Wu Fang.

Hexagrama 59. Huan / Dispersão (Dissolução)



Dissolva tudo o que há de ruim na sua vida e os caminhos se abrirão.


Este hexagrama se refere à dissolução de sentimentos e pensamentos que conduzem a um rígido ponto de vista. Para nos libertarmos deles, precisamos abdicar dos sentimentos, permitir que eles se afastem, levados pelo vento. A dispersão ocorre suave e naturalmente.
Precisamos dispersar sentimentos de desesperança, que nos levam a romper laços com os outros.

"Por que as coisas são assim?" é o tipo de pergunta completamente contaminada pela dúvida e o medo de continuar seguindo nosso caminho. É importante também nos livrarmos da sensação de que precisamos fazer alguma coisa como se estivéssemos pressionados a resolver uma determinada situação e nos empenhássemos para tal. Nesse momento, temos que recuar porque já estamos presos emocionalmente, caímos na armadilha. Uma vez que percebamos nossos erros, não devemos cair em desespero ou em crises de auto-acusação. O caminho é nos apegar ao que é correto e esperar. Assim, os possíveis danos serão corrigidos e a tensão se dissolverá.

Dispersão significa também que não devemos nos ligar a questões que provocam discussão nem resistir ao modo como as coisas funcionam. Abrindo mão da resistência, damos espaço a uma total compreensão e ao surgimento da ajuda do Sábio. Ele tem o poder para realizar o impossível e o improvável. Mas é preciso que esperemos. Sem paciência, nada acontecerá.

Nosso processo de autodesenvolvimento requer que passemos por dificuldades. Mais tarde, perceberemos que elas foram absolutamente necessárias ao crescimento. E, enquanto estivermos sob seu jugo, de nada adianta espernearmos. Isso só aumenta a dor e a incompreensão da situação vivida. A aceitação é o caminho mais adequado. Ela permite o surgimento de um insight que dê fim ao problema. 

 (Texto elaborado por  - Wu Fang)


Hexagrama 58. Tui / Alegria (lago)



Deseje, mas sem se prender ao desejo.  Ele não deve nos escravizar.

Este hexagrama nos fala da diferença entre a verdadeira liberdade no afastamento e a aparente liberdade na descuidada indiferença e na arrogante autoconfiança. A imagem do hexagrama é a de uma superfície espelhada de um lago, que simboliza a verdadeira alegria, a serenidade que devemos cultivar no dia-a-dia. O menor vinco na testa equivale a uma ondulação no lago. Se permitimos que ela continue, provocamos um redemoinho que engole a verdadeira alegria.

O momento em que frequentemente perdemos a serenidade é quando damos espaço para a dúvida, quando vacilamos, dando ouvidos às fantasias do ego. O primeiro momento da vacilação é um estado de ânimo descontente. A seguir, ouvimos nossos inferiores dizendo "nada funciona!". Assim, a vacilação progride a passos largos sem que percebamos. No estágio seguinte, estamos tomados pela descrença.

O principal sintoma da pessoa que se sente descrente ou desesperançada é o empenho em forçar a felicidade ou o sucesso. Quando essa tática falha, então, ela finge uma falsa indiferença, que se transforma em desejo de punir aqueles que ela considera responsáveis pelo seu desapontamento.

O I Ching nos ensina que a verdadeira alegria ou prazer não são encontrados quando os perseguimos. O hexagrama aconselha que fiquemos atentos àquelas épocas em que somos seduzidos pela ideia de que, se persistirmos, chegaremos à felicidade. Ela virá, sim. Não porque corremos atrás dela, mas como resultado natural do processo da vida e de nossas escolhas. 

O I Ching diz que devemos ficar abertos e neutros em nossa atitude, sem dar ouvidos às queixas do ego. Aceitar a vida como ela é pede aceitação de cada novo momento, sem resistência. Quando adquirimos essa postura, a felicidade chegou.

 (Texto elaborado por - Wu Fang)


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